se chegar é parar de ir embora,
fugir é não parar de ir embora nunca.
em tempos de incerteza,
fico com a fuga.
segunda-feira, julho 10, 2006
só (nem ao menos Deus por perto)
se chegar é parar de ir embora,
fugir é não parar de ir embora nunca.
em tempos de incerteza,
fico com a fuga.
fugir é não parar de ir embora nunca.
em tempos de incerteza,
fico com a fuga.
quarta-feira, julho 05, 2006
Ovelhas Negras de Mim *
Ela disse que a sala se enche de ar quando eu entro. Não é vazio, é ar. Ficamos sempre entre o ser e o não-ser (e quando o ser existe, tenho enxaqueca e quando o não-ser permanece não sinto os dias. Nem as noites). Ela lembrou de elfos, ninfas... Seres que são não-seres. E eu vinha pensando nos espirais da cidade antes de encontrar-me com ela. Onde eles estão? Para onde levam? Eis os usuários dos espirais da cidade.
Vejo um suicida que procura um espiral ao vento. E ele é como uma poesia que não foi publicada. Como aquela poesia que foi sendo guardada para outros tempos, ou então que não se encaixou em livro algum, em carta alguma, em lugar nenhum. Disse alguém então: “Por que publicar o que não presta? Porque o que presta também não presta. Além do mais, o que obviamente não presta sempre me interessou muito. Gosto do modo carinhoso do inacabado, daquilo que desajeitadamente tenta um pequeno vôo e cai sem graça no chão”.
Penso no suicida e a vida dele (que não deixa de sê-lo) como poesia não publicada. Dessa forma respondo à mulher que berra, sufocada com a decisão do suicida, decisão impossível para ela: “esse louco quer é aparecer!”...
Dessa forma, nesse pequeno vôo, sutilmente a vida-poesia torna-se publicável... Sua vida inacabada tem um gosto carinhoso – a sua existência é, simplesmente, uma tentativa, meio sem jeito, de voar – de ser ser, e de estar. Cairá “sem graça no chão”, como pena, papel amassado, balão furado... Mas será poesia-tentativa.
“Ovelhas Negras de mim querem encontrar os espirais da cidade. Onde estão?” Ouço os gritos de um homem. E assim vejo uma folha de caderno com rabiscos antigos voar desajeitadamente do 27o andar até cair, docemente, na superfície acimentada do submundo urbano.
Sopra o vento. Tem muito ar entre nós. Não é vazio. É ar. Só.
* o Caio faz isso com a gente.
Vejo um suicida que procura um espiral ao vento. E ele é como uma poesia que não foi publicada. Como aquela poesia que foi sendo guardada para outros tempos, ou então que não se encaixou em livro algum, em carta alguma, em lugar nenhum. Disse alguém então: “Por que publicar o que não presta? Porque o que presta também não presta. Além do mais, o que obviamente não presta sempre me interessou muito. Gosto do modo carinhoso do inacabado, daquilo que desajeitadamente tenta um pequeno vôo e cai sem graça no chão”.
Penso no suicida e a vida dele (que não deixa de sê-lo) como poesia não publicada. Dessa forma respondo à mulher que berra, sufocada com a decisão do suicida, decisão impossível para ela: “esse louco quer é aparecer!”...
Dessa forma, nesse pequeno vôo, sutilmente a vida-poesia torna-se publicável... Sua vida inacabada tem um gosto carinhoso – a sua existência é, simplesmente, uma tentativa, meio sem jeito, de voar – de ser ser, e de estar. Cairá “sem graça no chão”, como pena, papel amassado, balão furado... Mas será poesia-tentativa.
“Ovelhas Negras de mim querem encontrar os espirais da cidade. Onde estão?” Ouço os gritos de um homem. E assim vejo uma folha de caderno com rabiscos antigos voar desajeitadamente do 27o andar até cair, docemente, na superfície acimentada do submundo urbano.
Sopra o vento. Tem muito ar entre nós. Não é vazio. É ar. Só.
* o Caio faz isso com a gente.
sim e não
Se veste
e se investe
mas nada tece
nada tece...
se veste
e se reveste
mas não foge
da peste...
se veste
e se despe
se veste
e se despe...
e se investe
mas nada tece
nada tece...
se veste
e se reveste
mas não foge
da peste...
se veste
e se despe
se veste
e se despe...
quinta-feira, junho 29, 2006
responde
Seria melhor então
uma intensa tentativa
que alcançasse
o céu
mas que explodisse
em sua tenuidade
uma intensa tentativa
que alcançasse
o céu
mas que explodisse
em sua tenuidade
terça-feira, junho 27, 2006
segunda-feira, junho 26, 2006
sexta-feira, junho 23, 2006
para sacolinhas
Como diria uma menininha:
Se lá fora é "lá In Fora" e se
lá dentro é "lá In Dentro",
dentro é dentro
e fora é dentro.
portanto,
ENTRO.
Se lá fora é "lá In Fora" e se
lá dentro é "lá In Dentro",
dentro é dentro
e fora é dentro.
portanto,
ENTRO.
segunda-feira, junho 19, 2006
para um desejo desajeitado
tomara então
que meu desejo insista
e que não desista de
pequenísses...
porque senão
andando na pista
com as mãos tapando a vista
talvez eu não enxergue
pequenísses...
que meu desejo insista
e que não desista de
pequenísses...
porque senão
andando na pista
com as mãos tapando a vista
talvez eu não enxergue
pequenísses...
quinta-feira, junho 08, 2006
Agora
Agora, nada.
por agora.
caminhar por aí.
nada, agora.
desenvergonhar.
desespreguiçar.
desesperar.
não esperar.
agora. nada.
por agora.
caminhar por aí.
nada, agora.
desenvergonhar.
desespreguiçar.
desesperar.
não esperar.
agora. nada.
terça-feira, maio 30, 2006
agora e quando eu for velha
Quando eu for velha vou querer um aparelho pra não ouvir
e um cérebro-corpo de não pensar.
Agora, eu quero ficar velha logo.
e um cérebro-corpo de não pensar.
Agora, eu quero ficar velha logo.
domingo, maio 28, 2006
Polvo de estrellas*
Vale
Una vida lo que un sol
Una vida lo que un sol
Vale
Se aprende en la cuna,
se aprende en la cama,
se aprende en la puerta de un hospital.
Se aprende de golpe,
se aprende de a poco y a veces se aprende recién al final
Toda la gloria es nada
Toda vida es sagrada
Una estrellita de nada
en la periferia
de una galaxia menor.
Una, entre tantos millones
y un grano de polvo girando a su alrededor
No dejaremos huella,
sólo polvo de estrellas.
Vale
Una vida lo que un sol
Una vida lo que un sol
Vale
Se aprende en la escuela,
se olvida en la guerra,
un hijo te vuelve a enseñar.
Está en el espejo,
está en las trincheras, parece que nadie parece notar
Toda victoria es nada
Toda vida es sagrada
Un enjambre de moléculas
puestas de acuerdo
de forma provisional.
Un animal prodigioso
con la delirante obsesión de querer perdurar
No dejaremos huella,
sólo polvo de estrellas.
*musiquinha de aniversário... inspirada pelo meninos "quintalogados" que acharam uma função cósmica para minha existência... amei...
(músicas, já que ganhei um presente sonoro repleto de chorados tangos)
Una vida lo que un sol
Una vida lo que un sol
Vale
Se aprende en la cuna,
se aprende en la cama,
se aprende en la puerta de un hospital.
Se aprende de golpe,
se aprende de a poco y a veces se aprende recién al final
Toda la gloria es nada
Toda vida es sagrada
Una estrellita de nada
en la periferia
de una galaxia menor.
Una, entre tantos millones
y un grano de polvo girando a su alrededor
No dejaremos huella,
sólo polvo de estrellas.
Vale
Una vida lo que un sol
Una vida lo que un sol
Vale
Se aprende en la escuela,
se olvida en la guerra,
un hijo te vuelve a enseñar.
Está en el espejo,
está en las trincheras, parece que nadie parece notar
Toda victoria es nada
Toda vida es sagrada
Un enjambre de moléculas
puestas de acuerdo
de forma provisional.
Un animal prodigioso
con la delirante obsesión de querer perdurar
No dejaremos huella,
sólo polvo de estrellas.
*musiquinha de aniversário... inspirada pelo meninos "quintalogados" que acharam uma função cósmica para minha existência... amei...
(músicas, já que ganhei um presente sonoro repleto de chorados tangos)
sábado, maio 27, 2006
FUSIÓN
"¿Dónde termina tu cuerpo y empieza el mío?
A veces me cuesta decir.
Si desde el corazón a los dedosno hay nada en mi cuerpo que no hagas vibrar.
Donde termina tu cuerpo y empieza el cielo no cabe ni un rayo de luz.
Yo sólo quiero que sepas:no estoy aquí de visita,y es para ti que está escrita esta canción"
domingo, maio 21, 2006
terça-feira, maio 16, 2006
im (pressões)
máquina de escrever.
muito mais moderna,
você escreve, e ela, automaticamente,
já imprime o conteúdo.
muito mais moderna,
você escreve, e ela, automaticamente,
já imprime o conteúdo.
domingo, maio 14, 2006
quinta-feira, maio 11, 2006
Intercaladas interdições
E por aqui, hora bom, hora ruim; hora boa, hora ruim.
E pro menino: hora boa e ruim! Pode ser?
E ela então entendeu que nem sempre era bom que cada uma carregasse apenas aquilo que lhe pertencesse. Porque talvez ela não fizesse parte da bagagem de alguns.
hora bom E hora ruim.
E pro menino: hora boa e ruim! Pode ser?
E ela então entendeu que nem sempre era bom que cada uma carregasse apenas aquilo que lhe pertencesse. Porque talvez ela não fizesse parte da bagagem de alguns.
hora bom E hora ruim.
domingo, maio 07, 2006
Ela disse (em dia de jogo)
"Cada um fica com o que lhe pertence"
digo eu: "eu? eu danço comigo mesmo".
(prefiro não pertencer)
digo eu: "eu? eu danço comigo mesmo".
(prefiro não pertencer)
quinta-feira, maio 04, 2006
segunda-feira, maio 01, 2006
segunda-feira, abril 24, 2006
ainda, o mar
Do cais ao caos...
do caos ao cais...
num movimento de ir e vir
onde ela se perdia e encontrava novos pedaços
e os perdia
e encontrava outros...
do caos ao cais...
num movimento de ir e vir
onde ela se perdia e encontrava novos pedaços
e os perdia
e encontrava outros...
sexta-feira, abril 21, 2006
Via o mar. Via e via.
Será que não tinha pensado nisso antes?
Via o mar desde sempre. Só agora pensava que o via?
Devem ter tantas coisas que a gente vai vendo com o passar dos dias que a gente deve ficar impressionado. Imagina! Passar anos olhando pra mesma coisa e só, de repente, a ver!
O mar naquele dia estava igual.
Mas agora ela o via.
E via e via.
E não cansava.
Ondas em diagonais.
Ondas com a crista descompassada.
Ondas desritimadas.
Nada repetitivo.
E pensou, como nunca anteriormente havia pensado:
“Essa imensidão. Tão imensa para os olhos.
Como pode fazer isso que faz?
Me enche, me preenche, me transborda.
E ao mesmo tempo, me falta, me foge, me faz parecer que não tenho fundo”.
Será que não tinha pensado nisso antes?
Via o mar desde sempre. Só agora pensava que o via?
Devem ter tantas coisas que a gente vai vendo com o passar dos dias que a gente deve ficar impressionado. Imagina! Passar anos olhando pra mesma coisa e só, de repente, a ver!
O mar naquele dia estava igual.
Mas agora ela o via.
E via e via.
E não cansava.
Ondas em diagonais.
Ondas com a crista descompassada.
Ondas desritimadas.
Nada repetitivo.
E pensou, como nunca anteriormente havia pensado:
“Essa imensidão. Tão imensa para os olhos.
Como pode fazer isso que faz?
Me enche, me preenche, me transborda.
E ao mesmo tempo, me falta, me foge, me faz parecer que não tenho fundo”.
terça-feira, abril 18, 2006
Não foi ela que me disse, isso eu li num livro
"querem a minha perda".
fiquei querendo também.
(os percalços do desejo)
fiquei querendo também.
(os percalços do desejo)
domingo, abril 16, 2006
segunda-feira, abril 10, 2006
segunda-feira, abril 03, 2006
2001
"Poesia de guardanapo para a noite clara e sólida.
quiseste tu escolher teu caminho.
Intenso, mas curto
constante, mas longo?
quiseste tu me ver na luz clara da lua, morta e gélida.
quisera eu que a escuridão fosse vazia e a claridade intensa.
quisera eu acreditar na verdade única. que verdade seria?
aquela que me acalenta ou que me faz pensar?
querendo mudar, querendo sempre se acomodar".
"Poema de verso (tentativa dois, como acertar?)
por vezes seguidas tentar.
atentar ao pudor.
tentar, causando dor.
por inúmeros instantes procurar palavras de amor.
por que não calar?
não permitir esta ofensa nem o gesto do lugar.
fugir para longe: esfriar, esfriar.
Esquisito, mal sabe o que dizer,
página louca, perturbada,
que deseja o fim da carga, energia quer morrer.
(e a luz da lua inconstante a aparecer, grita:
-sou luz... do sol...)".
"Pede a todo instante
pelo fim do instante.
Ou pelo instante sem fim.
o que pedir?"
"Pensa nas promessas e mentiras ditas ao arvoredo.
Pássaros que escutam, sementes que brotam com medo.
O chão já concreto, despede suas raízes.
o caminho já nasce fraco, luta para prosseguir.
- tudo medo de si mesmo - diz o passarinho,
dono de longas asas, preparado para voar.
- que posso eu fazer, sem penas, só raízes?
- podes plantar o broto, que será o alimento da minha liberdade.
É. todos os sentimento são egoístas, inclusive os de liberdade".
quiseste tu escolher teu caminho.
Intenso, mas curto
constante, mas longo?
quiseste tu me ver na luz clara da lua, morta e gélida.
quisera eu que a escuridão fosse vazia e a claridade intensa.
quisera eu acreditar na verdade única. que verdade seria?
aquela que me acalenta ou que me faz pensar?
querendo mudar, querendo sempre se acomodar".
"Poema de verso (tentativa dois, como acertar?)
por vezes seguidas tentar.
atentar ao pudor.
tentar, causando dor.
por inúmeros instantes procurar palavras de amor.
por que não calar?
não permitir esta ofensa nem o gesto do lugar.
fugir para longe: esfriar, esfriar.
Esquisito, mal sabe o que dizer,
página louca, perturbada,
que deseja o fim da carga, energia quer morrer.
(e a luz da lua inconstante a aparecer, grita:
-sou luz... do sol...)".
"Pede a todo instante
pelo fim do instante.
Ou pelo instante sem fim.
o que pedir?"
"Pensa nas promessas e mentiras ditas ao arvoredo.
Pássaros que escutam, sementes que brotam com medo.
O chão já concreto, despede suas raízes.
o caminho já nasce fraco, luta para prosseguir.
- tudo medo de si mesmo - diz o passarinho,
dono de longas asas, preparado para voar.
- que posso eu fazer, sem penas, só raízes?
- podes plantar o broto, que será o alimento da minha liberdade.
É. todos os sentimento são egoístas, inclusive os de liberdade".
sábado, abril 01, 2006
quarta-feira, março 29, 2006
terça-feira, março 21, 2006
de segunda à segunda
Eu eu eu. Eu que não quero, eu que desespero. Eu que faço, e me desfaço.
Insônia, medo, angústia, dor. Triste. Dor-triste. Como é isso? Insônia. Não acerto a palavra. Não acerto, não encontro. Não durmo. Penso na palavra. Preso na palavra. Peso a palavra. Pesa. Pesada. Cansada. Sono, nada...
Insônia, medo, angústia, dor. Triste. Dor-triste. Como é isso? Insônia. Não acerto a palavra. Não acerto, não encontro. Não durmo. Penso na palavra. Preso na palavra. Peso a palavra. Pesa. Pesada. Cansada. Sono, nada...
segunda-feira, março 20, 2006
terça-feira, março 14, 2006
domingo, março 12, 2006
quarta-feira, março 01, 2006
quinta-feira, fevereiro 23, 2006
quarta-feira, fevereiro 22, 2006
segunda-feira, fevereiro 20, 2006
segunda
abaixo da superfície da terra
ainda existem janelas
até o infinito do centro da terra
até lá existem janelas
os prédios são só
a ponta do iceberg
ainda existem janelas
até o infinito do centro da terra
até lá existem janelas
os prédios são só
a ponta do iceberg
quarta-feira, fevereiro 15, 2006
quarta-feira, fevereiro 08, 2006
para um amanhecer que nunca vêm (ou que nunca venha)
dois fingidores
fingindo não sentir dores
as cores que se vão
eles não acreditam
que se repetirão
amanhã
porque amanhã
nunca vêm
ou que nunca venha
fingindo não sentir dores
as cores que se vão
eles não acreditam
que se repetirão
amanhã
porque amanhã
nunca vêm
ou que nunca venha
terça-feira, janeiro 31, 2006
sexta-feira, janeiro 13, 2006
terça-feira, janeiro 10, 2006
o preto
no escuro piso em falso, piso falso.
e apalpo e cheiro e ouço as formas deformadas pela subtração das referências.
e apalpo e cheiro e ouço as formas deformadas pela subtração das referências.
quinta-feira, janeiro 05, 2006
Em vôo - sob(re) paradoxos
Mapas são assim: levam a todos lugares e a lugar nenhum. Fazem todas as pessoalidades, singularidades; e ao conhecido, ao pessoal, ao territorial, nenhum.
Fazem todos os encontros do eu: eu-tu, ele-tu, tu-eu, eu-nós, eu-eu... e fazem encontro nenhum: o contorno descontornado.
Fazem todos os encontros do eu: eu-tu, ele-tu, tu-eu, eu-nós, eu-eu... e fazem encontro nenhum: o contorno descontornado.
quarta-feira, dezembro 14, 2005
domingo, novembro 27, 2005
quinta-feira, novembro 24, 2005
quarta-feira, novembro 23, 2005
terça-feira, novembro 22, 2005
sexta-feira, novembro 04, 2005
qualquer coisinha
Esvaziada, a vaga pede lugar.
Aliviada, cai, leve, desajeitada
E num espaço “ ” faz o cheio.
Aliviada, cai, leve, desajeitada
E num espaço “ ” faz o cheio.
sábado, setembro 24, 2005
di vagar
As coisas também fazem saudade entre si. A luz quando chega, deixa saudade no escuro. O escuro sente saudade daquela parte de escuro que virou luz. O barulho quando chega deixa saudade pro silêncio, o silêncio sente falta daquele pedaço de silêncio ocupado pelo barulho... mas o silêncio tb faz saudade quando invade a música... aquele pedaço de música em silêncio sente o vazio de não encontrar seu pedaço de música...
Tudo tem saudade e deixa saudade. O corpo tem saudade do outro corpo. Essa saudade chama-se “entre”. O entre tem esse nome estranho que quer dizer intervalo, mas também pode ser um chamado: “entre”! e então a saudade despede-se... e entra a extensão...
Alguém disse: “saudade é sempre saudade de casa”... e o que é a casa senão aquele território onde ocupamos com nossos devaneios e invenções? Portanto, o prego tem saudade do buraquinho do quadro, que é sua casa, sua morada, sua pequena tentativa de ser o mesmo, por alguns momentos;
E a casa tem saudade da infância...
Tudo tem saudade e deixa saudade. O corpo tem saudade do outro corpo. Essa saudade chama-se “entre”. O entre tem esse nome estranho que quer dizer intervalo, mas também pode ser um chamado: “entre”! e então a saudade despede-se... e entra a extensão...
Alguém disse: “saudade é sempre saudade de casa”... e o que é a casa senão aquele território onde ocupamos com nossos devaneios e invenções? Portanto, o prego tem saudade do buraquinho do quadro, que é sua casa, sua morada, sua pequena tentativa de ser o mesmo, por alguns momentos;
E a casa tem saudade da infância...
quinta-feira, setembro 15, 2005
sexta-feira, setembro 09, 2005
domingo, setembro 04, 2005
os pe(n)sares
nos devaneios noturnos sempre acabo achando que acho em meu pensamento algo de muito original...
repito diversas vezes, até que pareça estar gravado.
de manhã, lá vem o pensamento, bobo, pequeno, óbvio:
" o 'eu' pode ser como uma foto desfocada"...
e lá tá a imagem, na minha parede...
repito diversas vezes, até que pareça estar gravado.
de manhã, lá vem o pensamento, bobo, pequeno, óbvio:
" o 'eu' pode ser como uma foto desfocada"...
e lá tá a imagem, na minha parede...
sábado, setembro 03, 2005
almoço
O pai disse, tentando convencê-la de que era ela que não gostava de nada:
- o problema não são os lugares, o problema é a gente...
E ela:
- o problema é que a gente sempre vai junto quando a gente muda de lugar...
- o problema não são os lugares, o problema é a gente...
E ela:
- o problema é que a gente sempre vai junto quando a gente muda de lugar...
quarta-feira, agosto 31, 2005
segunda-feira, agosto 29, 2005
domingo, agosto 28, 2005
sábado, agosto 27, 2005
sexta-feira, agosto 26, 2005
calçada
comer cachorro quente,
melhor que a melhor sensação estética do dia.
talvez comer cachorro quente é que seja estético.
melhor que a melhor sensação estética do dia.
talvez comer cachorro quente é que seja estético.
terça-feira, agosto 23, 2005
.fala em dia de chuva.
por mais que pareça mais,
até as palmas ficam mais baixas
quando estamos sem luz.
até as palmas ficam mais baixas
quando estamos sem luz.
domingo, agosto 21, 2005
Assim ó
o emvolta me engoliu.
assim como o fora torna-se dentro.
e depois se desconfigura o dentro, claro.
mas enquanto ele existe como dentro, ele é o dentro que antes era fora.
fora-dentro-fora.
um finito outro infinito.
uma passa passa passa.
o outro sempre se atravessa...
incessantemente vem desacomodar...
assim como o fora torna-se dentro.
e depois se desconfigura o dentro, claro.
mas enquanto ele existe como dentro, ele é o dentro que antes era fora.
fora-dentro-fora.
um finito outro infinito.
uma passa passa passa.
o outro sempre se atravessa...
incessantemente vem desacomodar...
sexta-feira, agosto 19, 2005
quarta-feira, agosto 17, 2005
domingo, agosto 14, 2005
sábado, agosto 13, 2005
sexta-feira, agosto 12, 2005
coisas
Olhava muito pros detalhes das coisas
não sei se com atenção. Não, provavelmente não.
olhava texturas e formas.
mas gostava era de olhar bem de perto mesmo.
acho que precisava fingir que prestava atenção em outras coisas para ouvir e sentir o entorno
achava que o "em volta" prestava atenção nela,
olhava pra ela, a observava de todos os seus pontos
então fingia não observar que o "em volta" a observava.
assim aprofundava-se na superfície das coisas, de forma distraída e completamente atenta ao seu próprio invólucro.
não sei se com atenção. Não, provavelmente não.
olhava texturas e formas.
mas gostava era de olhar bem de perto mesmo.
acho que precisava fingir que prestava atenção em outras coisas para ouvir e sentir o entorno
achava que o "em volta" prestava atenção nela,
olhava pra ela, a observava de todos os seus pontos
então fingia não observar que o "em volta" a observava.
assim aprofundava-se na superfície das coisas, de forma distraída e completamente atenta ao seu próprio invólucro.
terça-feira, agosto 09, 2005
sexta-feira, agosto 05, 2005
historinha
eu fui parar neste caminho
do trágico parei no triste
do esquecimento parei na repetição
esqueci, lembrei pouco, o que sobrou repeti...
mas não ficou diferente
e agora
tô buscando um território
para minhas lágrimas
do trágico parei no triste
do esquecimento parei na repetição
esqueci, lembrei pouco, o que sobrou repeti...
mas não ficou diferente
e agora
tô buscando um território
para minhas lágrimas
segunda-feira, agosto 01, 2005
quarta-feira, julho 27, 2005
terça-feira, julho 26, 2005
.
que coisinhas são essas que não me deixaram dormir?
será que conseguiram sair?Ou será que já estavam fora?
será que conseguiram sair?Ou será que já estavam fora?
sábado, julho 23, 2005
para o vazio
Quando falo de vaga,
Por mais que digam que ela é espaço e por isso é cheia,
Falo da vaga do vazio.
E quero falar desse vazio da forma,
Da sombra,
Do cheiro,
Por mais que estes constituam espaços
Quero falar do não – lugar que estes lugares são.
O não – espaço que os espaços tornam-se
O que que há na vaga?
Não há nada que preencha matericamente,
Apesar de o sentimento de vazio ser concreto,
Ser um bolo de massa rígida,
Endurecida e acomodado no dentro.
Porque a vaga é o próprio vazio de suas bordas...
É como o tempo vazio, sem acontecimentos...
Na movimentação de instantes criando novos...
Mas isso é bobagem.
O novo se demora no mesmo...
A espera também é vaga e divaga...
E tem muito de eu no vazio de tudo.
O vazio da vaga abriga vazios de eus cheios de si.
Aquilo que carrego, uma estante cheia, é vazia.
Em seu desequilíbrio, na ilusão das coisas que podem cair...
Não caem porque não existem...
Quero carregar armários de costas.
Não quero ver seu-vasto-vazio-meu.
Por mais que digam que ela é espaço e por isso é cheia,
Falo da vaga do vazio.
E quero falar desse vazio da forma,
Da sombra,
Do cheiro,
Por mais que estes constituam espaços
Quero falar do não – lugar que estes lugares são.
O não – espaço que os espaços tornam-se
O que que há na vaga?
Não há nada que preencha matericamente,
Apesar de o sentimento de vazio ser concreto,
Ser um bolo de massa rígida,
Endurecida e acomodado no dentro.
Porque a vaga é o próprio vazio de suas bordas...
É como o tempo vazio, sem acontecimentos...
Na movimentação de instantes criando novos...
Mas isso é bobagem.
O novo se demora no mesmo...
A espera também é vaga e divaga...
E tem muito de eu no vazio de tudo.
O vazio da vaga abriga vazios de eus cheios de si.
Aquilo que carrego, uma estante cheia, é vazia.
Em seu desequilíbrio, na ilusão das coisas que podem cair...
Não caem porque não existem...
Quero carregar armários de costas.
Não quero ver seu-vasto-vazio-meu.
sexta-feira, julho 22, 2005
ainda reclamações de cor
cor-rompida
quem foi que disse que a vida é colorida?
se não se tem ponto de chegada ou de partida...
quem foi que disse que a vida é colorida?
se não se tem ponto de chegada ou de partida...
terça-feira, julho 19, 2005
sexta-feira, julho 15, 2005
quinta-feira, julho 14, 2005
mudanças
perambluar por perâmbulos
sonâmbulos
de sonhos vivos
que maltratam
e perseguem o
sono do
morto acordado
sonâmbulos
de sonhos vivos
que maltratam
e perseguem o
sono do
morto acordado
quinta-feira, julho 07, 2005
post para post anterior (gritado)
Aquele post ali debaixo
é especialmente para aqueles que pensam que
são nômades. e que repetem o mesmo achando
que tem algo novo. e que não encontram no
hábito o habitar sem território.
é pra mim.
pra mim que uso esse chapéu.
é especialmente para aqueles que pensam que
são nômades. e que repetem o mesmo achando
que tem algo novo. e que não encontram no
hábito o habitar sem território.
é pra mim.
pra mim que uso esse chapéu.
terça-feira, julho 05, 2005
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