quarta-feira, março 28, 2012

quando eu for velha quero um aparelho para não ouvir

quero um olhar descortinado

como quando perco todos os sentidos (o sono)

quando desperto fico desacostumada:

feito flor

quarta-feira, março 21, 2012

terça-feira, março 13, 2012

Paradoxo

Dentro cicatrizes coçam
Na chuva, cócegas

segunda-feira, dezembro 26, 2011

voltar para casa

um passarinho com coração acelerado, entre as mãos.
com medo de voar, desejando voar

enquanto isso te seguro, entre as mãos
esperando a tua decisão

sexta-feira, outubro 14, 2011

primeira vez

Anaïs Nin chorou como se fosse a primeira vez
depois de uma sessão de análise.
Depois dormiu como se fosse a primeira vez.
Como é bom dormir depois de chorar.
Chorar torna primeiro tudo que vem depois.

(escrito a partir desta postagem, Pequena coleção de traços:
http://tortuositar.blogspot.com/2011/09/pequena-colecao-de-tracos.html#comments
da Andrea)
que há do mar,
que na borda há?

segunda-feira, outubro 10, 2011

sexta-feira, setembro 23, 2011

quinta-feira, setembro 01, 2011

Que lugar é este onde.



Este lugar onde estamos: eu (pés descalços, olhos grandes, algo na mão), minha irmã mais velha ( dedo na boca, sorriso tímido e de canto de boca), minha irmã mais nova (sono profundo, chupeta - inseparável, entregue à gravidade) e minha mãe (sandálias pretas, um dos pés levemente suspensos, dando suporte (desafiando?) à gravidade, boca pintada,); que lugar é este? Não me lembro. Invento. Entre geografias deslocáveis, as três crianças percorreram o centro do país executando uma duração relativa (10 anos? 2? 5 minutos de percurso?). Um pouco cargas, um pouco combustível, um pouco criança. Porque criança é o que (se) percorre e o que desloca o que quer (deseja) percorrer – carga e combustível. Entre percursos sempre acompanhados (além das quatro meninas da fotografia, estavam também neste meio de transporte: meu pai, alguns passarinhos, livros e algumas idéias), algumas paragens:


a vida, infinitas paragens, nas quais sempre se desce pela primeira vez.


Esta fotografia é uma das paragens: quase se apagando no painel ali atrás, a palavra “exposiç...”. Fotografar é expor. Algo fica exposto esperando ser escolhido. Escolher é realizar uma paragem. Qualquer escolha é sempre a primeira vez. Fotografar é escolher um lugar para permanecer. É inventar uma permanência (sem prescrição de duração). Que lugar é este que, fotografou esta permanência em mim? Não sei:


somente existo onde conto sobre onde existo.