segunda-feira, novembro 23, 2009

Lundi matin

A casa triste

Madame Poulain, pequeno cavalo

Ou antes de madame, mademoiselle Poulain

A Amélie,

peut-être, triste.

Recolhe selos. Timbres, ela diz

Como mademoiselle, apegada aos pequenos detalhes da vida dos outros

Mas não para ela, ela recolhe.

Para o monsieur amigo.

Sim, apegada aos pequenos detalhes da vida dos outros

Ela recolhe selos para a coleção dele.

Cada um recolhe o que lhe cabe.

A casa recolhe murmúrios tristes do tempo lento que insiste

Cada canto desencarnada . a casa.

Somente brisa e talvez pó o que resta, que corpo nenhum agüenta.

Poulain, a madame, recolhe o que resta.

O murmúrio é de aspirador.

quinta-feira, novembro 19, 2009

o silêncio também faz parte do mundo das coisas que existem.

quarta-feira, novembro 18, 2009

do desejo de palavra

nos ignoram frente ao desejo posto em palavra

frente ao desejo feito arte

frente ao desejo dito

maldito

frente a ele, silencie

só assim não foge

permanece quando não sabe que está permanecendo

permanece quando estamos e ele não nos vê

permanece quando fingimos que o esquecemos e quando nossas palavras de desejo se tornam mudas

dê a ele o silêncio

mas escreva todo esse desejo,

para você

ou para outro que possa escutar.

___________

- eu desejo.

- eu não desejo .

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O amor é a arte de se esquivar,

de dançar passos sempre novos e sem nome e nunca dar nome a eles.

(Mesmo que saibamos que se trata de tango ou de samba).

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Mas,

não somente silenciar.

gritar para o vento, no vento, com o vento

o que se deseja com o corpo todo e com as palavras,

que, sim, sabemos inventar

para dar corpo aos nossos desejos.

então, não silencie, grite ao vento.

silencie aos que não podem te ouvir.

mas grite ao mundo que te escuta.

terça-feira, novembro 17, 2009

17 de novembro de 2009

Boto fé nela.

Ela que precisou me deixar

Precisou desafogar as insistências.

E de novo insistimos

Nisso que é amor mas mais que amor

Mais que borda de qualquer coisa

É qualquer coisa sem borda.

A desbordada, atordoada, bordada de flores

Dos pés à cabeça

Nos cabelos cor de escuro fortaleza

Iguais aos olhos

Eu acredito nela.

E neles.

Nos olhos e nos cabelos.

Dela.

De Déa se faz um dia uma noite

um fim de qualquer coisa.

Eu os refaço com ela.

Feitos de fios e de lágrimas

De bolo e café

De giz pastel e de dedos doces.

De você.

(para Déa com amor, palavras pelo seu aniversário! desejo de abraço e trago mas, na falta, servem palavras?)

Estrelas feitas de papel

Criei um novo blog para o projeto "um céu cheio de estrelas"...

Espaço de registro de uma ação poética que consiste em recolher desenhos de estrelas feitas em pedaços de papel para a construção de um céu de papel cheio de estrelas feitas por diversas pessoas. Este projeto teve início há alguns anos atrás e, em setembro do ano de 2009, as estrelas começaram a se multiplicar o que tornou possível a realização da junção das constelações para a feitura do céu. Também espaço para dar continuidade a este trabalho infinito de coleta de estrelas...

http://estrelasfeitasdepapel.blogspot.com/

segunda-feira, novembro 16, 2009

Estrelas escritas

"[24] Ela não brincava. Sim, era uma criança, mas não brincava. Preferia ficar quieta. Sozinha. Mesmo assim as outras crianças gostavam dela. E vez em quando a convidavam. Ela se concentrava ausente e desenhava estrelas, tantas e tão altas que eram levadas pela brisa, pelo silêncio e pelas ruas vazias". trecho de Tese de Doutorado de Angelica Munhoz, defendida na ultima sexta-feira...

sexta-feira, novembro 13, 2009

de alguma forma, disso se trata viver

Fiz para a maya esse vídeo. Há dias atrás ela me mandou um vídeo lindo, onde ela cantava “eclipse oculto”, uma música que sempre cantamos quando estamos juntas. Eu queria retribuir à altura, mas isso não existe. Isso da altura das retribuições. Daí escolhi uma música que amamos e a misturei com uma outra que a Maya ama tanto (que é surpresa) e que me lembra ela. Claro que tem alguns sérios problemas de afinação dos instrumentos (maya, um dos afinadores do violão quebrou e daí já viu: todas as outras cordas dançam no ritmo daquela imóvel), qualidade das imagens, e montagem tosca, né. Mas disso se trata viver... e nada tem que dar certo porque nosso amor é bonito.

Essa música é sobre Thelma e Louise. E por isso é sobre nós também. Ma e Maya.

Sopro de saudade de você, minha irmã.

beijo o ar, sopro o vento: não te esqueças, nos largamos daí.

(se for necessario)


segunda-feira, novembro 09, 2009

nove de novembro de dois mil e nove


o dia era antes.
antes de hoje.
o de hoje é dia novo.
te prometo.
nove de nove de nove.
novembro.
dia de Lou, Louveciennes.
Nin nous.
Anaïs e bala de anis.
Lu.
é dia novo de Nin de nous de anis.
te prometo.
capricórnio e incesto. em branco e preto.

***
amanhã faltará menos
mas os dias serão mais.
prometo

***
Dorme-acorda com sorriso nos lábios .
nem sabe por quê.
mas eu conto para você.
sonhou com dadaísmo:
recortou o fundo da fotografia.
fez uma forma com a tesoura
ou cortou exatamente sobre a linha do contorno.
lá fora cinza.
dentro
tinta.

***


o dia é hoje.
ele me leva
novo
porque nove
novembro cinza
trem cinza
roupa cinza
cinza novo
entre nós
nuvens
novela
quer ela
e também uma vela
para soprar
as nuvens
o cinza
e fazer o pedido:
sol de suar
cerveja para arejar
vento do mar
amar
amar
amar
...

para o lu, com amor









quarta-feira, novembro 04, 2009

sem desespero sem tédio sem fim

um presente que ganhei da maya, e que é mais que um presente so pra mim...
até caetano deveria ver isso...
e cazuza se fosse vivo...

http://margensdapalavra.blogspot.com/2009/11/sem-desepero-sem-tedio-sem-fim.html

daquelas coisas que valem desejar o eterno retorno.