terça-feira, dezembro 14, 2010

poema para uma performance líquida


Poema para uma performance líquida

Na volta, um prédio feio de nome belo: ponteio.
O portão aberto, grade horizontal, protege o chão do céu.

o que passa: pontos luminosos de chuva.

domingo, dezembro 12, 2010

quinta-feira, dezembro 09, 2010

segunda-feira, dezembro 06, 2010

espalhamento

onde ele se encontra?
existe um ponto?

onde todos os desejos dispersos
esperam?
despertam
um?

terça-feira, novembro 16, 2010

sábado, novembro 13, 2010

sexta-feira, novembro 12, 2010

quinta-feira, novembro 11, 2010

ladainha: do registro

A cabeça torna-se feita de confusões. Ao se permitir uma sentença em meio a tantas ainda confusas, se permite, como que inseparavelmente (pague um leve dois) a própria sentença já impossível de ser resolvida. A cada nova possibilidade inventada para a dor de sentir-se irrisório, uma nova e mais forte impossibilidade.

O tempo passou. Hoje mesmo já seria tarde para fazer uma escolha que mudasse todos os rumos .

Estar em outra cidade também não seria uma saída. Já é tarde para isso. Depois de um certo tempo as apostas devem contar com o que é propício. E não é nada propício sair de casa uma hora dessas. Nesta altura, começar do zero é o mesmo que desistir.

Nem escrever parece digno.

Nem desistir.

É uma ladainha daquelas.

Um homem fede a álcool. Ele entra no trem e exige seu lugar. Um jovem sai, o homem senta. Na sua nebulosidade ele parece velho. Ele tem muitas rugas, mas tirando a nebulosidade dos olhos que o olham, ele não é tão velho. Ele tem as mãos cruzadas uma sobre a outra. Com o dedão esquerdo acaricia o dedão direito. Um grande talho meio seco, sem sangue, sem cor, provavelmente sem dor. A secura arranca não se sabe da onde meia dúzia de lágrimas.

Cada um dá o que tem pro mundo.

Pensamentos não deixam rastros nenhum. Por mais que se tente. Nem borra, nem sussurro.

Nem tentativas palavras.

quarta-feira, novembro 10, 2010

existe
de um vazio desassistido
onde nada cabe
ainda que a fumaça do vizinho,
madrugueira e periódica
insista

"A ausência de provas físicas" Gonçalo Tavares

"Como era deselegante não ver nada com tantas coisas para serem vistas, o senhor Juarroz ficava em casa, à janela, a ver as coisas do mundo.

Como era possível dentro de casa ouvir o silêncio, o senhor Juarroz abria a janela para entrarem ruídos, pois, no fundo, detestava o silêncio.

Como as mãos eram, acima de tudo, máquinas de tocar nas coisas, o senhor Juarroz, quando ficava em casa em frente à janela aberta, gostava de encostar a sua mão esquerda no vidro.

Como uma das características mais entusiasmantes do ser humano era a capacidade de cheirar e saborear, o senhor Juarroz, quando ficava em casa com a janela aberta para ver e ouvir, com a mão direita encostada ao vidro para tocar, gostava ainda de beber um café bem quente e de cheiro intenso.

Como gostava muito de pensar o senhor Juarroz, quando ficava em casa, com a janela aberta, e com a mão esquerda encostada ao vidro, a beber um café quente, perdia-se nos seus pensamentos e, assim, quando a sua esposa lhe perguntava o que vira e ouvira da janela, o senhor Juarroz não sabia o que responder porque não se lembrava de nada. E apenas uma chávena de café vazia provava algo: ele bebera, de fato, o café.

O senhor Juarroz pensava muitas vezes que o mundo seria mais físico se as coisas vistas ou ouvidas também deixassem, no fim, uma chávena de café vazia, de modo a provar à mulher que não perdia tempo, como ela o acusava. Mas depois de pensar nada se alterou, pois os pensamentos também não deixavam provas. Apenas o café, apenas o café – murmurava”.

TAVARES, Gonçalo. O senhor Juarroz. Pg 29 e 30.

Sob (re) sereno - livro de artista - pagina 1, 2 e 3



carimbo e nanquim sobre papel vegetal (14,5 x 10,5 cm)

continua...
(se quiser receber por correio um exemplar, mande email para mayraredin@gmail.com)

terça-feira, setembro 21, 2010

"Pequenos Tratados sobre"

Texto de Ana Luisa Lima sobre meu trabalho,

neste link:

http://analuisalima.wordpress.com/2010/09/21/pequenos-tratados-sobre%c2%b9/

Lá você encontra também outros textos escritos por ela.

sexta-feira, setembro 03, 2010

jornal açores brasil

Jornal/blog feito nos Açores com colaboração de brasileiros.

Voltado para a temática cultural, com ênfase à cultura açoriana, dentro e fora de portugal.

Nesse suplemento trabalhos em artes visuais de Mayra e Mayana Martins Redin.

Está aí no blog para download:

http://bureauca.blogspot.com/2010/08/suplemento-brasil-n-2-feedbr100-jornal.html

Os responsáveis pela edição do jornal no Brasil são Máximo Lamela Adó e Letícia Testa, do coletivo Cão Amarelo.


sexta-feira, agosto 06, 2010

Pour les dernières

acabar o que quase nem se começou.

amar o lugar. (só quando saímos para não mais voltar).

Perder. (nunca se é de todo afirmativo).

Ir embora dá vínculos.

No próximo inverno sentiremos frio na barriga quando o dia for bem cinza e o vento desembocar sabe-se lá de onde. Vou lembrar daqui.

Cada qual perdido,

na quadra,

na língua,

na ponta da frança.

Cada qual na sua ponta.

(no próprio próximo inverno)

terça-feira, julho 06, 2010

tem dias que eu decido,
mas não sou eu que
decido o dia
de si derado

sábado, julho 03, 2010

Um convite para compartilhar estrelas



A exposição Proposição para construção de mar e céu de estrelas, que acontecerá em novembro na Sala Dobradiça, convida a todos a enviar suas estrelas para a construção de um céu de papel.

Proposição para construção de mar e céu de estrelas nasceu da mistura de dois projetos: Um céu cheio de estrelas – ação poética proposta por Mayra Martins que desde 2008 recolhe desenhos de estrelas feitas em pedaços de papel para a construção de um céu de papel cheio de estrelas feito por diversas pessoas – e Só por ora um mar sem orla – como Talita Tibola chamou o conjunto das ações dispersas que envolviam as suas poesias.

Um céu cheio de estrelas procura fazer encontrar riscos feitos pelas mais diversas mãos costurando um céu de papel composto por pequenos universos distantes. É obra em rede que pretende habitar os diferentes tetos: teto de quarto, de galeria, de ponte…

Só por ora um mar sem orla fala de não estar nem aqui nem ali, fala de passagens e das pequenas moradas que construímos ao simplesmente passar.

Construir um mar como “ponto de repouso”, parecia o que o céu estava a esperar.


No processo para a materialização de duas pequenas imensidões, as duas propositoras, fisicamente distantes, procuram se encontrar e acabam encontrando Pedro Filho Amorim, músico e poeta que mora também distante, na Bahia, e que gosta dos jogos sonoros e palavreiros. O céu de estrelas e o mar sem orla, ao encontrar Pedro e seus acasos, encontraram também um jeito de construir um horizonte sonoro, delineado na escassez de informações, como o horizonte que é o fim ilusório do mar e do céu. Do jogo das distâncias entre Porto Alegre, Rio de Janeiro, e Salvador, forja-se o encontro das estrelas encomendadas do céu com a orla inexistente do mar, na construção dos fragmentos enviados por Mayra e Talita e recebidos por Pedro.


Propondo construir céu de estrelas e mar onde nenhum dos três agora está, a proposição faz dessa ausência a sua própria existência, procurando colecionar encontros na distância.


O céu de estrelas aguarda suas estrelas para crescer. Para compor com a gente neste encontro de distâncias, mande suas estrelas rabiscadas em pedaço de papel para:


Mayra Martins Redin

Rua Vasco da Gama, 277, Ap 402, Bairro Bom Fim, Porto Alegre / RS, CEP 90420 111,


Ou


Talita Tibola

Rua Duque de Caxias 1495/402, Bairro Centro, Santa Maria/RS, CEP 97015-190

e

Rua Sá Ferreira, 227/802, Copacabana, Rio de Janeiro


Ou entre em contato pelo e-mail:

construcaomarceu@gmail.com


No dia 10 de novembro de 2010, mar e céu de estrelas se encontrarão na exposição Proposição para construção de mar e céu de estrelas, na Sala Dobradiça em Santa Maria.