terça-feira, abril 27, 2010

Intervenção no corredor do Instituto de Artes







Intervenção no corredor do Instituto de Artes,
por Everton Netto, Isabel Ramil, Fernanda Paganin, Mario Terrazas e Mayra Martins.
Fotografias de Mario Terrazas
Após decidir o tecido branco e translúcido, conversamos sobre o aspecto de desenho desta instalação. Imaginamos que sendo o corredor uma estrutura no espaço, pensamos que o pano (por manter de certa forma a cor das paredes e por preencher o espaço horizontalmente, assim como são os tetos e chãos de prédios) poderia compor com esta estrutura-corredor re-desenhando este lugar, criando uma linha de corte que divide o espaço em dois, mas também criando blocos de estruturas dependendo de onde se olha. O corredor olhado de fora, antes de entrar, pode ser entendido como uma janela, um recorte, uma moldura, um enquadramento, e o pano, cortando esta paisagem, remodela o desenho.



segunda-feira, abril 26, 2010

das suavidades

ele é ávido
ela, sua(ve):
a suá vida

quinta-feira, abril 22, 2010

quarta-feira, abril 21, 2010

terça-feira, abril 20, 2010

pouco antes de ir

para os amigos novos e do futuro...

Ana, Carol e Jean

domingo, abril 18, 2010

sábado, abril 17, 2010

sob (re) sereno

03h20 min

sob (re) sereno

23h 50 min

sob (re) sereno

Observatorio de sereno

A estrutura foi construída a partir de quatro suportes de metal (com função de suporte para caixa de abelha mas fora de uso). O uso do filó (tecido que possui fissuras) fala da poética da observação/olhar de detalhes efêmeros da natureza. Esta poética trata de algo que não se vê com claridade. Ao tentar registrar as etapas da formação do sereno, percebe-se a fragilidade dos métodos para descobrir o momento certo em que ele se forma. Não se trata de um fenômeno que acontece frente aos seus olhos de forma clara, por isso a escolha pelo uso do filo. As fissuras deste tecido conversam com a efemeridade do sereno ao se formar sob(re) um objeto. A construção de um observatório para realizar esta ação também fala da aposta no olhar. Trata-se de olhar e de convidar a olhar e não “pegar”, “apropriar”. De qualquer forma não deixa de ser uma ação que precisa do corpo para que aconteça. O corpo de quem se propõe a experienciar, o corpo do artista que registra.

Tal construção / intervenção deste observatório e ação de observação e registro aconteceu na cidade de Liberdade, em Minas Gerais, em Terra UNA, como o desenvolvimento do projeto para o qual fui selecionada no Prêmio Interações Florestais 2010.


quinta-feira, abril 15, 2010

da(s) viagen(s)

fiz uma viagem só

uma viagem só
(não a mesma)

terça-feira, abril 13, 2010

3 constatações de volta

1) são só alguns quilômetros, mas imagine a sensação do tempo que leva para atravessar o oceano.
2) é forte voltar depois de:
- um dia intenso
- o vento, agora sinto o vento
- confundir se
3) a gente cria frente as impossibilidades do desejo.
A gente cria porque deseja.
Criamos pequenas possibilidades

quinta-feira, abril 08, 2010

caro distante

Para chegar até aqui eu decidi escolher um meio de transporte mais lento.
Entre eu e tu, tudo estava muito próximo.
A medida em que o tempo passava, tão lentamente, você sumia.
Agora que já estou aqui, depois de optar pelo caminho mais lento, pelo caminho onde a superfície do que me transportava tocava a terra (assim podia sentí-la indo-se atrás dos meus pés), descobri que:
nem bem parti e já estou tão longe de ti, caro distante.

domingo, março 07, 2010

entre uma despedida e Liberdade
existe uma estrada.

entre tudo
e o que ainda é
quase nada.

sexta-feira, março 05, 2010

ela e ele e a rua dele (s)

andou ainda onde não
e lá já

já antes
antes deste agora
tinha estado

e lá já
também neste agora do "dia destes"
tinha estado

ela e ele. na rua dele.

e aqui já agora
ela e a rua dele.
sem ele.

quarta-feira, março 03, 2010

poema de distância

quilômetros de palavras para te dizer que:
o cheiro é ainda de alecrim,
e a rua que era minha e tua
agora anda nua de mim.

segunda-feira, março 01, 2010

dia dela

ela
Lou
vestida de sim
amanhece o sol
com tinta esmalte carmin
louca de amor e
fim
nunca sem sorriso
pagode e
alecrim.

para bianca, essa linda, doce e forte, que ANIMA meus dias e dança nossas noites regadas a pequenas mentiras sinceras

domingo, fevereiro 28, 2010

minas por alguns dias

cachaça diária.
manhã cedo de pé.
sonhos de pé.
pão de queijo de pé, descalço.
café.
açucar no café.
e fé. ah fé,
o pé movido.

quarta-feira, fevereiro 24, 2010

haicai de chegada

a estrada é bonita
no mar de areia
sem jangada

sábado, fevereiro 20, 2010

haicai de início

na borda do mar
principia


precipício

haicai de verão

pinheiro inclinado
espera



precipitação

domingo, fevereiro 07, 2010

uma super-dose
derrama-me, se te vejo.
por enquanto,
transbordo aos poucos.
contenta-me você,
a conta-gotas.

segunda-feira, fevereiro 01, 2010

chuva de verão

C´est la pluie sur nous
ou sommes-nous nus?

domingo, janeiro 31, 2010

quinta-feira, janeiro 28, 2010

Sans Vera

« Mon ami est parti
L’est parti pour toujours
(…)
Fais Battre Ton Tambour

(…)

Je sens les larmes qui montent
Mais je n'vais pas pleurer
Je sens ma peine qui gronde
Je vais la chanter

( …)

Je sens monter la colère
L’envie de crier

come on take my pain away

(…) »

Emily Loizeau


Ainda vou muito falar dela. No carro dela pensei que não interessa minha arte nem arte nenhuma. E compreendi. O corpo doente e completamente vivo. Não quer criar. Não sabe, não pode querer. E é tão vivo! A vida é ir ao mercado. Escolher gostos que apetecem. Mas o corpo tantas vezes não quer comer. A vida não é ter casa, objetos, decoração. A vida é permanecer o tanto mais que der. Isso serve para todos nós. Porque o corpo quer tanto. E eu já amo esse corpo, e eu já não posso sem ele, e eu já o vejo sempre vivo. Eu acompanho, gosto de viver ao lado. Ver viver isto que luta. Lutar é anterior a criar. Gosto agora da luta.

Ela descasca cebolas e chora. Eu choro. As cebolas choram. Nós as trituramos porque as odiamos aos pedaços. Odiamos tudo aos pedaços. Nós não as vemos diminuir porque temos lágrimas nos olhos. Nós as odiamos aos pedaços, mas não queremos vê-las tornarem-se caldo. Nem importam as cebolas mais.

Ela só quer algo para fumar para a dor passar. Eu só quero fumar com ela. Ela não está habituada à depressão, me disse. Esse desconhecido. Eu penso que a depressão é justamente questão de hábito. Mas ela fala neste desconhecido que incomoda. Quem é ele? Ou ela? Não, a depressão não mexe tanto, não vai ao mercado, não leva à Amsterdam, não ri com o corpo inteiro.

A depressão está no mesmo lugar. É alguém que é sempre este mesmo alguém. Mas ela não. Ela não é alguém.

Ela não é.

Está agora. E não queira saber depois. Simplesmente não queira.

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26 de outubro de 2009

O câncer é sempre de todo mundo.

Ela está triste

Eu estou triste

A casa está triste.

E a gente espera ele parar, o câncer,

Para amanhã tentar de novo.

E ela alegre

Eu alegre

A casa alegre.

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Escrevi estes dois textos quando conheci Vera. Enquanto convivia com ela. Ela viajava, e eu só. Ela estava, a casa cheia. Cheia de tudo. Alegria e lagrimas e sono e insônia. Compreendidos no cheio. Jamais no vazio. O cheio, e a morte perto. Ignorada.

Vera saia, o vazio vinha.

Chamei estes textos de “Para uma amiga que nunca vai ler”. Jamais pensei que o motivo seria a partida. Eu não queria que ela lesse, porque era desimportante o que eu dizia. Era algo que eu escrevia como quem desenha estrelas incessantes num pedaço de papel rasgado: preenchendo o tempo, esperando que ele passe. E o tempo passava quando ela estava. Portanto o vazio era meu. Escritos vazios para o tempo que não passava quando ela não estava.

Mas dias atrás, (agora mês atrás), eu senti saudades e quis tanto que ela lesse e que soubesse da importância da sua existência para mim.

A Vera gata do Caetano. A leonina ascendente gêmeos que em cinco minutos invadiu a casa e a vida, a minha, olhou meus olhos, com seus olhos rápidos e sempre atrasados para um novo olhar. Passou rápida e forte. Para tudo e qualquer coisa: champagne as 10 da manhã, de Marnay à Amsterdam...

“Não tem coisa melhor que fazer coisa chata junto” ela disse descascando cebolas. Nós não sabíamos se estávamos rindo ou chorando.

2 meses de cebolas, invenção de cardápios, arrumação da mesa, choro incontido dentro do carro num estacionamento qualquer, tudo porque era a coisa mais prazerosa do mundo fazer coisa chata junto com ela. A Vera.

Mas ela não estava mais para ler meus textos vazios. E Ainda escrevo.

Ela lia mal. Não sei se não queria ou se não podia. Rápida, nervosa atrás dos óculos, que ficaram na casa. Agora na minha. “eles não importam, mas os traga”. Eles eram a boa desculpa para o reencontro, disse ela sobre eles. Mais um objeto desimportante aos seus olhos.

Se houvesse o encontro, ela usaria os óculos e leria ansiosa os textos que fiz. Mas disso tudo, os óculos e textos continuam sem importância. Só do encontro. Não abriria mão. Ela também não.

Seria um encontro daqueles mais despreocupados, leves, sem importância, mas inesquecível. Como qualquer 5 minutos que passei com ela durante os dois meses na casa.

.........................

12 de dezembro de 2009

Na casa ficaram os óculos.

E quem precisa de precisão?

Na casa ficou a prescrição.

E quem precisa de prescrição?

Eu não preciso de previsão

Eu não uso mais os óculos

Eu não leio o prescrito

Eu só insisto

Nela.

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15 de dezembro de 2009

Ela canta

Os lírios renascem / os lírios vêm

Perfume de quem se foi

...

Ela canta

Os lírios renascem

Perfume da Vera.

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Mon amie, je pense toujours à toi.


segunda-feira, janeiro 25, 2010

sobre bolsos

Virginia Woolf
no mar
tinha os bolsos
mas não as pedras

voltaram cheios de areia

"as palavras são como bolsos, ora carregam uma coisa, ora outra",
escutou-se dizer

"os bolsos furam"
esvaziou-se ao vento.

sábado, janeiro 23, 2010

esperando Jorge

eu te espero
eu espero
que tu venhas com as flores do campo

que venhas

eu quieta
com as palavras
todas elas
que você as tenha

na lapela

uma flor do campo, amarela

talitamayra

nos nossos "as"
aliterados
tali ela
em mim
a yr,
ma petite

estão ali
todos nossos "as":

em vão acostumar.

quinta-feira, janeiro 21, 2010

Dentro da Rua Grande







montagem de expo no CAMAC OPEN STUDIO
novembro de 2009, Marnay-sur-Seine, France



quinta-feira, janeiro 14, 2010

cortinas

Eu digo para ela que utilize toda aquela neve como
cobertor de vista.
Assim como fizemos com o mar naquele dia.
Acobertando as insistências da visão.

e tudo ficou tão claro.

segunda-feira, janeiro 11, 2010

para mim, num dia que se queria qualquer

É claro que existem coisas que nos doem as vistas de tanto que choramos quando elas insistem em permanecer. E daí a gente chora no banheiro e não vê perspectiva, porque os olhos estão inchados, há horas, por inundação e também por falta de querer ver de novo de qualquer jeito ou de um jeito mesmo qualquer.

Daí é claro que não nos imaginamos nas próximas 24 horas olhando para fora como quando se olha num dia qualquer, enxergando tudo sem enxergar, e indo para qualquer lugar que já estava previsto ir, seja encontrar um amigo e cuidar dele e comer com ele como ontem ou como amanhã, ou então ler o livro que se tem que ler, lendo assim como quando se olha para fora num dia qualquer, enxergando as letras todas juntas formando frases e compreensões, tudo sem enxergar. Seja nada, seja vasculhar nada para fazer, que isso também, num dia qualquer se torna normal, pertence às ações que fazemos sem enxergar direito e é assim que parece tudo claro nesses dias.

Mas é claro, que hoje não foi um dia qualquer, e é por isso que nada é claro, e foi por isso que eu chorei no banheiro, e outras pessoas tb choraram, cada uma no seu, e passei a enxergar quase tudo com os olhos inundados de dias de antes e de dias que vêm. É claro, é uma clareira. Nada é claro e tudo nos cega nesse dia. Pra amanhã eu olhar pra fora e quase não enxergar de tanto que amanhã vai fazer parte de mais um dia qualquer. Me faço essa promessa.

domingo, janeiro 10, 2010

quarta-feira, janeiro 06, 2010

para o ano que vem

rápido e rasteiro veio o poema.
assim também veio o primeiro minuto do ano novo que veio.
vieram as letras todas descobertas na casa,
entre cheiro de pão de queijo
e cheiro de livrerdade.

nada mais rápido e rasteiro que amigos antigos
num ano que vem, rápido e rasteiro.
de arrastar na areia
levados pelo rápido mar
que nos deixou restos
e rastros
que desejam se rastrocosturar
do jeito que der
pode até ser num aniversário
que começa em maio e não tem mês para terminar

para o que vier, desejo rápido e rasteiro,
esse poema arrastado, dançado até no silêncio
das proibições sonoras:

"Rápido e rasteiro
Chacal
Vai ter uma festa
que eu vou dançar
até o sapato pedir para parar.

aí eu paro
tiro o sapato
e danço o resto da vida."

para os amigos deste ano novo,
pela dança e pelos sapatos tirados

domingo, dezembro 27, 2009

besoin

Minha boca falando boca
Na sua nuca nua
minha boca no ar
Sussura nuca
Não nunca
Querendo te alcançar
No ar
Entre tua nuca e
minha boca nua
eu sei dessa verdade
das incertezas,
que elas são incontroláveis,
inexistentes
as verdades.
eu sei.
ainda assim não durmo ao som do primeiro silêncio noturno.
silêncio para os olhos.
tenho medo desses olhos que não escutam.
mesmo sabendo da verdade das incertezas.
não queira saber.
tenho medo do que eles não escutam, os olhos.

nunca vou superar a noite.

domingo, dezembro 20, 2009

não querer aniversário.
não querer aprisionar.
querer ficar perto, muito perto, sem ser julgada.
medo de voar de tão leve.
medo do tombo de quem voa leve.
medo de ser óbvia.
medo de não estar sendo óbvia.
impaciência.
corpo que não esconde.
não aguenta sentado.
tomba a cabeça com sono para o lado.
foge. pisa em ovos. quebra pratos.

segunda-feira, novembro 23, 2009

Lundi matin

A casa triste

Madame Poulain, pequeno cavalo

Ou antes de madame, mademoiselle Poulain

A Amélie,

peut-être, triste.

Recolhe selos. Timbres, ela diz

Como mademoiselle, apegada aos pequenos detalhes da vida dos outros

Mas não para ela, ela recolhe.

Para o monsieur amigo.

Sim, apegada aos pequenos detalhes da vida dos outros

Ela recolhe selos para a coleção dele.

Cada um recolhe o que lhe cabe.

A casa recolhe murmúrios tristes do tempo lento que insiste

Cada canto desencarnada . a casa.

Somente brisa e talvez pó o que resta, que corpo nenhum agüenta.

Poulain, a madame, recolhe o que resta.

O murmúrio é de aspirador.

quinta-feira, novembro 19, 2009

o silêncio também faz parte do mundo das coisas que existem.

quarta-feira, novembro 18, 2009

do desejo de palavra

nos ignoram frente ao desejo posto em palavra

frente ao desejo feito arte

frente ao desejo dito

maldito

frente a ele, silencie

só assim não foge

permanece quando não sabe que está permanecendo

permanece quando estamos e ele não nos vê

permanece quando fingimos que o esquecemos e quando nossas palavras de desejo se tornam mudas

dê a ele o silêncio

mas escreva todo esse desejo,

para você

ou para outro que possa escutar.

___________

- eu desejo.

- eu não desejo .

--------------------

O amor é a arte de se esquivar,

de dançar passos sempre novos e sem nome e nunca dar nome a eles.

(Mesmo que saibamos que se trata de tango ou de samba).

-------------------

Mas,

não somente silenciar.

gritar para o vento, no vento, com o vento

o que se deseja com o corpo todo e com as palavras,

que, sim, sabemos inventar

para dar corpo aos nossos desejos.

então, não silencie, grite ao vento.

silencie aos que não podem te ouvir.

mas grite ao mundo que te escuta.

terça-feira, novembro 17, 2009

17 de novembro de 2009

Boto fé nela.

Ela que precisou me deixar

Precisou desafogar as insistências.

E de novo insistimos

Nisso que é amor mas mais que amor

Mais que borda de qualquer coisa

É qualquer coisa sem borda.

A desbordada, atordoada, bordada de flores

Dos pés à cabeça

Nos cabelos cor de escuro fortaleza

Iguais aos olhos

Eu acredito nela.

E neles.

Nos olhos e nos cabelos.

Dela.

De Déa se faz um dia uma noite

um fim de qualquer coisa.

Eu os refaço com ela.

Feitos de fios e de lágrimas

De bolo e café

De giz pastel e de dedos doces.

De você.

(para Déa com amor, palavras pelo seu aniversário! desejo de abraço e trago mas, na falta, servem palavras?)

Estrelas feitas de papel

Criei um novo blog para o projeto "um céu cheio de estrelas"...

Espaço de registro de uma ação poética que consiste em recolher desenhos de estrelas feitas em pedaços de papel para a construção de um céu de papel cheio de estrelas feitas por diversas pessoas. Este projeto teve início há alguns anos atrás e, em setembro do ano de 2009, as estrelas começaram a se multiplicar o que tornou possível a realização da junção das constelações para a feitura do céu. Também espaço para dar continuidade a este trabalho infinito de coleta de estrelas...

http://estrelasfeitasdepapel.blogspot.com/

segunda-feira, novembro 16, 2009

Estrelas escritas

"[24] Ela não brincava. Sim, era uma criança, mas não brincava. Preferia ficar quieta. Sozinha. Mesmo assim as outras crianças gostavam dela. E vez em quando a convidavam. Ela se concentrava ausente e desenhava estrelas, tantas e tão altas que eram levadas pela brisa, pelo silêncio e pelas ruas vazias". trecho de Tese de Doutorado de Angelica Munhoz, defendida na ultima sexta-feira...

sexta-feira, novembro 13, 2009

de alguma forma, disso se trata viver

Fiz para a maya esse vídeo. Há dias atrás ela me mandou um vídeo lindo, onde ela cantava “eclipse oculto”, uma música que sempre cantamos quando estamos juntas. Eu queria retribuir à altura, mas isso não existe. Isso da altura das retribuições. Daí escolhi uma música que amamos e a misturei com uma outra que a Maya ama tanto (que é surpresa) e que me lembra ela. Claro que tem alguns sérios problemas de afinação dos instrumentos (maya, um dos afinadores do violão quebrou e daí já viu: todas as outras cordas dançam no ritmo daquela imóvel), qualidade das imagens, e montagem tosca, né. Mas disso se trata viver... e nada tem que dar certo porque nosso amor é bonito.

Essa música é sobre Thelma e Louise. E por isso é sobre nós também. Ma e Maya.

Sopro de saudade de você, minha irmã.

beijo o ar, sopro o vento: não te esqueças, nos largamos daí.

(se for necessario)


segunda-feira, novembro 09, 2009

nove de novembro de dois mil e nove


o dia era antes.
antes de hoje.
o de hoje é dia novo.
te prometo.
nove de nove de nove.
novembro.
dia de Lou, Louveciennes.
Nin nous.
Anaïs e bala de anis.
Lu.
é dia novo de Nin de nous de anis.
te prometo.
capricórnio e incesto. em branco e preto.

***
amanhã faltará menos
mas os dias serão mais.
prometo

***
Dorme-acorda com sorriso nos lábios .
nem sabe por quê.
mas eu conto para você.
sonhou com dadaísmo:
recortou o fundo da fotografia.
fez uma forma com a tesoura
ou cortou exatamente sobre a linha do contorno.
lá fora cinza.
dentro
tinta.

***


o dia é hoje.
ele me leva
novo
porque nove
novembro cinza
trem cinza
roupa cinza
cinza novo
entre nós
nuvens
novela
quer ela
e também uma vela
para soprar
as nuvens
o cinza
e fazer o pedido:
sol de suar
cerveja para arejar
vento do mar
amar
amar
amar
...

para o lu, com amor









quarta-feira, novembro 04, 2009

sem desespero sem tédio sem fim

um presente que ganhei da maya, e que é mais que um presente so pra mim...
até caetano deveria ver isso...
e cazuza se fosse vivo...

http://margensdapalavra.blogspot.com/2009/11/sem-desepero-sem-tedio-sem-fim.html

daquelas coisas que valem desejar o eterno retorno.

segunda-feira, novembro 02, 2009

estrela feita de macabéa


na hora da estrela,

por André Stock

Estrela

Por Felipe

estrelas de botões e frutas


Por Marita Martins Redin

domingo, novembro 01, 2009

segunda-feira, outubro 26, 2009

cemitério fechado

segunda
os mortos
descansam

sábado, outubro 24, 2009

c'est ça

au dessus des toits:

- étoile c'est toi
- estrela é ela

e lá está
c'est trop tôt
no pesar do tempo
apesar das horas

:au dessous de toi

mayra e talita

whisky e dia frio-sur-seine

- você acha bom a possibilidade?
- acho ótimo já, ela só, a possibilidade.
- sim, e ela possivel? você acha bom?

sexta-feira, outubro 23, 2009

empty and luck

Vou escrever algumas palavras. Vejo uma joaninha vermelha clássica, com bolinhas pretas. Ela caminha em minha mão. Levanto-me e vou até a escritora americana que escreve ao meu lado. Ontem mesmo aprendi que “vide” é “empty”. Sem inglês nos lábios, aponto com a outra mão a joaninha agora parada. “it’s luck”, diz ela. Então a faço caminhar por todo meu corpo.

quinta-feira, outubro 22, 2009

segunda-feira, outubro 19, 2009

quarta-feira, outubro 14, 2009

promenade sur seine

Existe um nada onde nada cabe.
É lá que eu sou.

Até a água fria é mais quente que minhas mãos frias.
E o vento frio é mais quente que meu corpo frio.

Enquanto eu morria, algo de vida, um novo começo nascia nele.
A vida é sempre mais forte.
Seria qualquer coisa de egoísta querer que a vida respeitasse a morte.
A vida nunca faz luto, sempre nasce pela primeira vez

Não se trata nem de dormir nem de acordar. Não sabemos de que entrega se trata.

Mas no crepúsculo alguma coisa morre, aí posso morrer.

sábado, outubro 10, 2009

eterno retorno

Não sei o que some, se eu ou você ou ambos. Talvez nem tenhamos notado, a não ser por qualquer vento que soprou percebidamente. Vi qualquer coisa disso e me fez lembrar você. Nos Alpes da suíça. Folhas amarelas, laranjas, verdes e ocres, todas num mesmo galho e num todo de des-cores. Subi montanhas e caminhei por lagos e encontrei cachoeiras e vacas. E era lindo. E isso é tudo. Isso de algo ser lindo. E é assim que reapareço: pela lindeza. Através dela. E mais nada, afinal a lindeza não precisa de mais nada. Espero que você retorne. Pela lindeza.

(para as pequenas coisas que têm a capacidade de desaparecer)

terça-feira, setembro 29, 2009

sábado, setembro 26, 2009

cada canto no seu canto - atelier


Vernissage Expo: "CorpoArtista", Bienal B

as meninas lindas... obrigada pessoal da Galeria de mArte, Maya (que fez tudo), Cassi (que fez tudo junto)
Foto de Cassiano Stahl

domingo, setembro 20, 2009

sábado, setembro 19, 2009

samedi soir

Hoje ninguém

Nem um gato dócil inexistente
Apesar do manto que faz às vezes do colo quente

Hoje ninguém

Nem as palavras chegadas aqui ao meio-dia,
antes mesmo do jornal da manhã lá ainda não lido

hoje ninguém

nenhuma história nova prometida,
nem uma cantoria falada gravada a pedido
por conta de uma saudade repentina do ouvido

hoje ninguém

nem as palavras insones de desconhecido
em breve mais próximo que os mais próximos

hoje nada

nem horóscopo

nem cadarços molhados

porque o sereno foi fraco

enquanto o sono se foi

hoje desde ontem
o desespero confuso afirmou-se acontecido
nada pode mais agonizar
e por isso as palavras são inúteis
enquanto o corpo realiza suas explosões aguardadas
as palavras não podem
nem querem
nem devem mais
nada
inventar

hoje ninguém

enquanto hoje alguém

sexta-feira, setembro 18, 2009

quinta-feira, setembro 17, 2009

quarta-feira, setembro 16, 2009

terça-feira, setembro 15, 2009

SOBRE ESPERAR ESTRELAS

" Vous allez dans un nouveau pays, et vous recréez la constellation"
Anaïs Nin, 1942

segunda-feira, setembro 14, 2009

quinta-feira, setembro 10, 2009

um insone

repete diversas vezes que ainda é cedo para pensar em insônia.

quarta-feira, setembro 09, 2009

guarda-chuva de filo

para que as meninas dos meus olhos permaneçam desprotegidas
(para andréa e bianca)

mesa de canto


segunda-feira, setembro 07, 2009