domingo, novembro 14, 2010

sábado, novembro 13, 2010

sexta-feira, novembro 12, 2010

quinta-feira, novembro 11, 2010

ladainha: do registro

A cabeça torna-se feita de confusões. Ao se permitir uma sentença em meio a tantas ainda confusas, se permite, como que inseparavelmente (pague um leve dois) a própria sentença já impossível de ser resolvida. A cada nova possibilidade inventada para a dor de sentir-se irrisório, uma nova e mais forte impossibilidade.

O tempo passou. Hoje mesmo já seria tarde para fazer uma escolha que mudasse todos os rumos .

Estar em outra cidade também não seria uma saída. Já é tarde para isso. Depois de um certo tempo as apostas devem contar com o que é propício. E não é nada propício sair de casa uma hora dessas. Nesta altura, começar do zero é o mesmo que desistir.

Nem escrever parece digno.

Nem desistir.

É uma ladainha daquelas.

Um homem fede a álcool. Ele entra no trem e exige seu lugar. Um jovem sai, o homem senta. Na sua nebulosidade ele parece velho. Ele tem muitas rugas, mas tirando a nebulosidade dos olhos que o olham, ele não é tão velho. Ele tem as mãos cruzadas uma sobre a outra. Com o dedão esquerdo acaricia o dedão direito. Um grande talho meio seco, sem sangue, sem cor, provavelmente sem dor. A secura arranca não se sabe da onde meia dúzia de lágrimas.

Cada um dá o que tem pro mundo.

Pensamentos não deixam rastros nenhum. Por mais que se tente. Nem borra, nem sussurro.

Nem tentativas palavras.

quarta-feira, novembro 10, 2010

existe
de um vazio desassistido
onde nada cabe
ainda que a fumaça do vizinho,
madrugueira e periódica
insista

"A ausência de provas físicas" Gonçalo Tavares

"Como era deselegante não ver nada com tantas coisas para serem vistas, o senhor Juarroz ficava em casa, à janela, a ver as coisas do mundo.

Como era possível dentro de casa ouvir o silêncio, o senhor Juarroz abria a janela para entrarem ruídos, pois, no fundo, detestava o silêncio.

Como as mãos eram, acima de tudo, máquinas de tocar nas coisas, o senhor Juarroz, quando ficava em casa em frente à janela aberta, gostava de encostar a sua mão esquerda no vidro.

Como uma das características mais entusiasmantes do ser humano era a capacidade de cheirar e saborear, o senhor Juarroz, quando ficava em casa com a janela aberta para ver e ouvir, com a mão direita encostada ao vidro para tocar, gostava ainda de beber um café bem quente e de cheiro intenso.

Como gostava muito de pensar o senhor Juarroz, quando ficava em casa, com a janela aberta, e com a mão esquerda encostada ao vidro, a beber um café quente, perdia-se nos seus pensamentos e, assim, quando a sua esposa lhe perguntava o que vira e ouvira da janela, o senhor Juarroz não sabia o que responder porque não se lembrava de nada. E apenas uma chávena de café vazia provava algo: ele bebera, de fato, o café.

O senhor Juarroz pensava muitas vezes que o mundo seria mais físico se as coisas vistas ou ouvidas também deixassem, no fim, uma chávena de café vazia, de modo a provar à mulher que não perdia tempo, como ela o acusava. Mas depois de pensar nada se alterou, pois os pensamentos também não deixavam provas. Apenas o café, apenas o café – murmurava”.

TAVARES, Gonçalo. O senhor Juarroz. Pg 29 e 30.

Sob (re) sereno - livro de artista - pagina 1, 2 e 3



carimbo e nanquim sobre papel vegetal (14,5 x 10,5 cm)

continua...
(se quiser receber por correio um exemplar, mande email para mayraredin@gmail.com)

sábado, novembro 06, 2010

terça-feira, outubro 19, 2010

terça-feira, setembro 21, 2010

"Pequenos Tratados sobre"

Texto de Ana Luisa Lima sobre meu trabalho,

neste link:

http://analuisalima.wordpress.com/2010/09/21/pequenos-tratados-sobre%c2%b9/

Lá você encontra também outros textos escritos por ela.

sexta-feira, setembro 03, 2010

jornal açores brasil

Jornal/blog feito nos Açores com colaboração de brasileiros.

Voltado para a temática cultural, com ênfase à cultura açoriana, dentro e fora de portugal.

Nesse suplemento trabalhos em artes visuais de Mayra e Mayana Martins Redin.

Está aí no blog para download:

http://bureauca.blogspot.com/2010/08/suplemento-brasil-n-2-feedbr100-jornal.html

Os responsáveis pela edição do jornal no Brasil são Máximo Lamela Adó e Letícia Testa, do coletivo Cão Amarelo.


sexta-feira, agosto 06, 2010

Pour les dernières

acabar o que quase nem se começou.

amar o lugar. (só quando saímos para não mais voltar).

Perder. (nunca se é de todo afirmativo).

Ir embora dá vínculos.

No próximo inverno sentiremos frio na barriga quando o dia for bem cinza e o vento desembocar sabe-se lá de onde. Vou lembrar daqui.

Cada qual perdido,

na quadra,

na língua,

na ponta da frança.

Cada qual na sua ponta.

(no próprio próximo inverno)

quarta-feira, julho 21, 2010

terça-feira, julho 06, 2010

tem dias que eu decido,
mas não sou eu que
decido o dia
de si derado

sábado, julho 03, 2010

Um convite para compartilhar estrelas



A exposição Proposição para construção de mar e céu de estrelas, que acontecerá em novembro na Sala Dobradiça, convida a todos a enviar suas estrelas para a construção de um céu de papel.

Proposição para construção de mar e céu de estrelas nasceu da mistura de dois projetos: Um céu cheio de estrelas – ação poética proposta por Mayra Martins que desde 2008 recolhe desenhos de estrelas feitas em pedaços de papel para a construção de um céu de papel cheio de estrelas feito por diversas pessoas – e Só por ora um mar sem orla – como Talita Tibola chamou o conjunto das ações dispersas que envolviam as suas poesias.

Um céu cheio de estrelas procura fazer encontrar riscos feitos pelas mais diversas mãos costurando um céu de papel composto por pequenos universos distantes. É obra em rede que pretende habitar os diferentes tetos: teto de quarto, de galeria, de ponte…

Só por ora um mar sem orla fala de não estar nem aqui nem ali, fala de passagens e das pequenas moradas que construímos ao simplesmente passar.

Construir um mar como “ponto de repouso”, parecia o que o céu estava a esperar.


No processo para a materialização de duas pequenas imensidões, as duas propositoras, fisicamente distantes, procuram se encontrar e acabam encontrando Pedro Filho Amorim, músico e poeta que mora também distante, na Bahia, e que gosta dos jogos sonoros e palavreiros. O céu de estrelas e o mar sem orla, ao encontrar Pedro e seus acasos, encontraram também um jeito de construir um horizonte sonoro, delineado na escassez de informações, como o horizonte que é o fim ilusório do mar e do céu. Do jogo das distâncias entre Porto Alegre, Rio de Janeiro, e Salvador, forja-se o encontro das estrelas encomendadas do céu com a orla inexistente do mar, na construção dos fragmentos enviados por Mayra e Talita e recebidos por Pedro.


Propondo construir céu de estrelas e mar onde nenhum dos três agora está, a proposição faz dessa ausência a sua própria existência, procurando colecionar encontros na distância.


O céu de estrelas aguarda suas estrelas para crescer. Para compor com a gente neste encontro de distâncias, mande suas estrelas rabiscadas em pedaço de papel para:


Mayra Martins Redin

Rua Vasco da Gama, 277, Ap 402, Bairro Bom Fim, Porto Alegre / RS, CEP 90420 111,


Ou


Talita Tibola

Rua Duque de Caxias 1495/402, Bairro Centro, Santa Maria/RS, CEP 97015-190

e

Rua Sá Ferreira, 227/802, Copacabana, Rio de Janeiro


Ou entre em contato pelo e-mail:

construcaomarceu@gmail.com


No dia 10 de novembro de 2010, mar e céu de estrelas se encontrarão na exposição Proposição para construção de mar e céu de estrelas, na Sala Dobradiça em Santa Maria.

terça-feira, junho 15, 2010

das suavidades V

Se não quer deixar marca,
escreva:
"cuidado tinta fresca".

domingo, junho 13, 2010

Porto Alegre a pé

1) Dos gostos: Passa pela quitanda, lá, entre as laranjas, o “céu é bem doce”

2) Da fé: As pessoas foram despejadas do paraíso, mas entraram mesmo assim no reino de deus, que em frente à saída ficava. O reino de Deus, diz na porta, é para os que cansaram de sofrer. Se se paga por luz, e mesmo assim se é despejado do paraíso, porque não pagar para parar de sofrer?

3) Do medo: A cidade vira-se de costas para o rio. Rio-lago. Faz frio. A beira de qualquer água dá para o que não sabemos. Ainda como antigamente. Quase nada sabemos sobre as águas. A cidade virada de costas para o rio protege-se do inusitado.

4) Do amor: Há paredes que moram dentro de janelas. Através delas, das janelas, os tijolos das paredes observam de pé os tijolos das calçadas deitadas.

segunda-feira, junho 07, 2010

Resposta

YVES
because
Y ES

domingo, junho 06, 2010

sexta-feira, maio 28, 2010

palavras para acompanhar nascimento

dos abismos II

"tememos a morte, sim. mas nenhum medo é maior do que aquele que sentimos da vida cheia, da vida vivida a todo peito."

mia couto
antes de nascer o mundo


pra continuar a conversa que tenho sem nem mesmo saber com a aniversariante do dia

por Talita Tibola

Para May
Acordei com o vento gostoso
de outono a me lançar resquícios cintilantes.
Não tive dúvida nenhuma:
eram poeiras nostálgicas da menina cósmica a
iluminar minha vida.
por Fabio Parise

quinta-feira, maio 27, 2010

incorporando alguns elementos à consideração barthesiana sobre estar vivo

tenho medo e/ou desejo e/ou pressa,
logo existo

(com a ajuda de um amigo)

segunda-feira, maio 24, 2010

quarta-feira, maio 19, 2010

Com Vargas Llosa

Preâmbulo

Os cachorros fogem da tentação do impossível e encontram sempre uma impossibilidade repleta de pequenos possíveis. Na dúvida, comece pelas coincidências. O resto acontece.

Sobre vargas llosa poderia se chamar a vagarosa. Anos que quero. E agora? Por onde começar? Ou por onde continuar? De onde parei. Numa palestra sobre escrita, quem falou o nome Vargas Llosa? Lembro só que anotei, e se anotei, eu queria. Vou atrás de onde. Em quais anotações procurar? As de antes do ano passado com certeza. Do ano retrasado para trás. Assim não vai dar. A vagarosa. Deixou o tempo passar e ficou só o nome Vargas Llosa ecoando, ecoando, ecoando, vagarosa. Melhor continuar indo ao que interessa. Um livro dele. Não importa como o quis, mas como farei para tê-lo. Um livro inteiro devo ler. Essa é a regra que acabo de criar. E é assim que vou sabê-lo. Assim e somente assim. Por este único livro. Página por página. Este será Vargas Llosa para mim, a vagarosa. Agora é fácil. Nem tão fácil. Não, nada fácil. Que único livro será esse. Penso. Não conheço nenhum. Conheço, deve estar anotado, mas já tirei do caminho a possibilidade da tentativa de relembrar algo anotado. Uma vagarosa demora o suficiente para esquecer o que estava a procurar. Estratégia do rápido, para não perder o fio da meada, para não perder as vagas horas: Vargas Llosa mais perto é o da rede. E lá diz: ingressar. Posso entrar? Como escolher a obra sem abrir? Como entrar? Pelo nome. O nome que me chama: “a cidade e os cachorros”, cachorro combina com Vagarosa. Cachorro é vagaroso quando o interesse é preambular. Até para arrimar-se vai que vai, cheirando, arrastando, encostando. Talvez goste mais do preâmbulo que do deambular. Mas vamos lá que a regra foi adentrar, e disso de focar, cachorro também sabe e vagarosos fingem não saber mas, se você olhar direito, os vagarosos sabem bastante sobre caminhar. Claro que muito mais que sobre chegar. E nessa de caminho devagar querendo despistar, foge da regra e de repente decide espiar, como qualquer um que vai devagar espia, ou justamente vai devagar para espiar, e como um canino farejante espiante, acho um ensaio que vagarosamente faz abandonar, ou seja, desarrimar dos Cachorros e me leva para “La tentacion de lo imposible”. Pronto. Devagar fugiu da regra de um único Vargas Llosa, deixou os cachorros para trás (e talvez vagarosa tenha corrido um pouco e se adiantado para fugir dos cachorros) e o que encontrou? O preâmbulo do impossível: a tentação. A tentação é a carona dos que caminham devagar. Essa leva. Arrasta. Arrima por arrebatamento. É esse Vargas Llosa que eu quero. Até onde ele pode me levar nessa velocidade? É ensaio, leio. Aí não posso arrimar-me. Não por agora. E o nome já dizia dessa impossibilidade. Acho que gosto necessariamente em primeiro lugar dos preâmbulos, as tentações, que me jogam pra fora novamente da carona. De novo caminhar, de novo esticar o braço, novamente arriscar. Arriscar arrimar. Neste risco decido: o livro que encontrar na livraria mais próxima: “travessuras da menina má”. Gosto quando no título encontro qualquer coisa de meu. Não são as travessuras, neste caso> mas o Ma. Um apelido. Que é um nome. O meu nome pode ser o ponto de partida para uma pesquisa sobre qualquer coisa, já dizia o cineasta Alain Berliner. Convenceu-me. Viro o livro. Na contracapa o nome da personagem: lilly. Outro nome meu. É este aqui. Quanto tempo levarei para conhecer o meu Vargas Llosa?

De vagarosa para Vargas Llosa, foi-se uma folha.

terça-feira, maio 11, 2010

das suavidades IV

paradoxo é quando olhamos para os objetos do mundo e,

obsessivamente,

freqüentemente,

cotidianamente, passamos a nos perguntar:

como seria se?

Jardim das escolhas

Terra Una, mar/abr de 2010





sexta-feira, maio 07, 2010

Guarda chuva de filó

Terra Una, março de 2010.
Participação: Marcia Kneipp



quarta-feira, maio 05, 2010

das suavidades III

Poderiam ficar horas falando e ouvindo sobre todas as palavras que ficaram guardadas naqueles anos passados.

Mas horas não seriam suficientes. Precisariam de dias, meses, anos.

E se vivessem juntos, até morrerem, ainda assim não seria suficiente.

Acharam então que talvez não fosse necessário.

Mas não sem arrependimentos.

é a tentativa que faz uma vida.

o arrependimento é uma tentativa fora do lugar.

domingo, maio 02, 2010

quarta-feira, abril 28, 2010

terça-feira, abril 27, 2010

Intervenção no corredor do Instituto de Artes







Intervenção no corredor do Instituto de Artes,
por Everton Netto, Isabel Ramil, Fernanda Paganin, Mario Terrazas e Mayra Martins.
Fotografias de Mario Terrazas
Após decidir o tecido branco e translúcido, conversamos sobre o aspecto de desenho desta instalação. Imaginamos que sendo o corredor uma estrutura no espaço, pensamos que o pano (por manter de certa forma a cor das paredes e por preencher o espaço horizontalmente, assim como são os tetos e chãos de prédios) poderia compor com esta estrutura-corredor re-desenhando este lugar, criando uma linha de corte que divide o espaço em dois, mas também criando blocos de estruturas dependendo de onde se olha. O corredor olhado de fora, antes de entrar, pode ser entendido como uma janela, um recorte, uma moldura, um enquadramento, e o pano, cortando esta paisagem, remodela o desenho.



segunda-feira, abril 26, 2010

das suavidades

ele é ávido
ela, sua(ve):
a suá vida

quinta-feira, abril 22, 2010

quarta-feira, abril 21, 2010

terça-feira, abril 20, 2010

pouco antes de ir

para os amigos novos e do futuro...

Ana, Carol e Jean

domingo, abril 18, 2010

sábado, abril 17, 2010

sob (re) sereno

03h20 min

sob (re) sereno

23h 50 min

sob (re) sereno

Observatorio de sereno

A estrutura foi construída a partir de quatro suportes de metal (com função de suporte para caixa de abelha mas fora de uso). O uso do filó (tecido que possui fissuras) fala da poética da observação/olhar de detalhes efêmeros da natureza. Esta poética trata de algo que não se vê com claridade. Ao tentar registrar as etapas da formação do sereno, percebe-se a fragilidade dos métodos para descobrir o momento certo em que ele se forma. Não se trata de um fenômeno que acontece frente aos seus olhos de forma clara, por isso a escolha pelo uso do filo. As fissuras deste tecido conversam com a efemeridade do sereno ao se formar sob(re) um objeto. A construção de um observatório para realizar esta ação também fala da aposta no olhar. Trata-se de olhar e de convidar a olhar e não “pegar”, “apropriar”. De qualquer forma não deixa de ser uma ação que precisa do corpo para que aconteça. O corpo de quem se propõe a experienciar, o corpo do artista que registra.

Tal construção / intervenção deste observatório e ação de observação e registro aconteceu na cidade de Liberdade, em Minas Gerais, em Terra UNA, como o desenvolvimento do projeto para o qual fui selecionada no Prêmio Interações Florestais 2010.


quinta-feira, abril 15, 2010

da(s) viagen(s)

fiz uma viagem só

uma viagem só
(não a mesma)

terça-feira, abril 13, 2010

3 constatações de volta

1) são só alguns quilômetros, mas imagine a sensação do tempo que leva para atravessar o oceano.
2) é forte voltar depois de:
- um dia intenso
- o vento, agora sinto o vento
- confundir se
3) a gente cria frente as impossibilidades do desejo.
A gente cria porque deseja.
Criamos pequenas possibilidades

quinta-feira, abril 08, 2010

caro distante

Para chegar até aqui eu decidi escolher um meio de transporte mais lento.
Entre eu e tu, tudo estava muito próximo.
A medida em que o tempo passava, tão lentamente, você sumia.
Agora que já estou aqui, depois de optar pelo caminho mais lento, pelo caminho onde a superfície do que me transportava tocava a terra (assim podia sentí-la indo-se atrás dos meus pés), descobri que:
nem bem parti e já estou tão longe de ti, caro distante.